Parceria permitirá ao Butantan produzir no Brasil imunoterapia contra o câncer

Por: Redação I Foto: Reprodução/ Instituto Butatan


O Instituto Butantan firmou uma parceria com a farmacêutica norte-americana MSD para produzir no Brasil um medicamento avançado contra o câncer que já é utilizado no Sistema Único de Saúde. O acordo, anunciado nesta quinta-feira, faz parte de uma estratégia do Ministério da Saúde para ampliar a produção nacional de tecnologias em saúde e reduzir a dependência de importações.

O remédio, chamado pembrolizumabe, é uma imunoterapia que atua estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células cancerígenas. Diferente da quimioterapia tradicional, o tratamento tende a ser menos tóxico e tem apresentado bons resultados em casos específicos. Atualmente, o medicamento já é oferecido pelo SUS para pacientes com melanoma metastático, um tipo agressivo de câncer de pele.

Hoje, cerca de 1,7 mil pessoas são atendidas por ano com essa terapia, com custo aproximado de R$ 400 milhões aos cofres públicos. A expectativa é que esse número aumente caso o uso do remédio seja ampliado para outros tipos de câncer, como os de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A estimativa da farmacêutica é que a demanda possa chegar a cerca de 13 mil pacientes por ano.

Um dos principais pontos do acordo é a transferência de tecnologia, que permitirá ao Butantan, de forma gradual, dominar todas as etapas de produção do medicamento. No início, o instituto deve atuar em processos como rotulagem e envase. Com o avanço do projeto, passará a participar da formulação até chegar à produção completa do remédio no país, incluindo o desenvolvimento do ingrediente farmacêutico ativo. Esse processo pode levar até dez anos.

Segundo o Ministério da Saúde, a produção nacional deve contribuir para reduzir custos no longo prazo e garantir maior segurança no abastecimento, evitando riscos de descontinuidade por problemas internacionais de logística ou fornecimento.

A parceria é resultado de um edital lançado em 2024 para incentivar a cooperação entre instituições públicas e privadas. A iniciativa integra um plano mais amplo do governo federal, que pretende nacionalizar até 70% dos insumos utilizados pelo SUS nos próximos dez anos.

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