Brasil registra recorde de 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios

Por: Redação I Foto: Andrezza Mariot


O protagonismo feminino no empreendedorismo brasileiro tem avançado de forma consistente, mesmo diante de barreiras estruturais que ainda limitam o crescimento das mulheres no setor. Segundo dados do Sebrae, no quarto trimestre de 2024 o país registrava 30,4 milhões de donos de negócios, dos quais 10,4 milhões eram mulheres. O número representa um recorde histórico e um aumento de cerca de 33% em dez anos.

Esse movimento é impulsionado por iniciativas como as do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), ligado à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, que atua para ampliar oportunidades de liderança e reduzir fragilidades estruturais. A entidade destaca que a formalização e a capacitação são etapas fundamentais para que as empreendedoras conquistem espaço e sustentabilidade em seus negócios.

Apesar do avanço, os indicadores revelam desigualdades. As mulheres representam 51,7% da população em idade ativa, mas apenas 34,1% dos empreendedores. Relatório do Ministério do Empreendedorismo aponta que somente 25% dos recursos destinados a pequenos negócios chegam às empreendedoras, enquanto a maior parte das linhas de crédito beneficia homens. Além disso, estudos indicam que as taxas de juros cobradas das empresárias, sobretudo microempreendedoras, são superiores às aplicadas aos homens.

Outro desafio é a sobrecarga de responsabilidades. Mais de 58% das empreendedoras são chefes de família, muitas delas mães solo, o que reduz o tempo disponível para capacitação, networking e gestão estratégica. As desigualdades raciais também atravessam o setor, já que negócios liderados por mulheres negras tendem a ser menores, menos formalizados e com renda inferior.

Em Roraima, casos individuais ilustram como o empreendedorismo tem sido alternativa de renda e autonomia. Bruna Nayara, após enfrentar um histórico de dificuldades pessoais e profissionais, transformou o talento culinário em fonte de sustento, criando o “Sabores da Bruna” com apoio da Agência Municipal de Empreendedorismo (AME).

Bruna Nayara transforma talento culinário em negócio familiar

Já Maria Rita Josaphá, ao perceber a ausência de roupas infantis adequadas ao clima local, fundou a marca Mariposa, que alia conforto e identidade amazônica. Ambas receberam apoio da AME, que já investiu mais de R$ 8 milhões em micro e pequenos empreendimentos, beneficiando mais de 2 mil negócios em Boa Vista.

Maria Rita Josaphá apresenta coleção da Mariposa, moda infantil com identidade amazônica

Em cinco anos, a AME já investiu mais de R$ 8 milhões em micro e pequenos empreendimentos, beneficiando mais de 2 mil negócios locais. Além do crédito, oferece mentorias, qualificação gerencial e oportunidades de participação em grandes eventos, ampliando a visibilidade dos empreendedores. Mais de 70% do público atendido é formado por mulheres, que buscam no empreendedorismo um caminho para autonomia econômica.

O cenário nacional reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para ampliar o acesso ao crédito com condições compatíveis à realidade das micro e pequenas empresárias, desburocratizar serviços de apoio e criar cotas em compras governamentais para produtos e serviços de empreendedoras.

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