Ultraprocessados avançam em comunidades tradicionais enquanto pescado busca espaço na merenda escolar no Brasil, aponta estudos

Por: Redação I Foto: Seduc/AM


Pesquisas recentes apontam transformações importantes nos hábitos alimentares de comunidades tradicionais e no cardápio da merenda escolar no Brasil. De um lado, cresce o consumo de alimentos ultraprocessados entre povos como quilombolas, ribeirinhos e indígenas não aldeados. De outro, iniciativas buscam ampliar a presença do pescado da pesca artesanal na alimentação de estudantes da rede pública.

A pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Ceará, publicada na Revista Ciência & Saúde Coletiva, analisou dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) entre 2015 e 2022, envolvendo 21 povos tradicionais, como quilombolas, ribeirinhos e indígenas não aldeados. Os resultados mostram que, entre crianças de 2 a 9 anos, o consumo de hambúrgueres e embutidos subiu de 3,8% para 5,5%.

Entre adultos e idosos, o crescimento anual variou de 4,7% a 5,8%. Já entre gestantes, houve queda no consumo de frutas e feijão, alimentos historicamente presentes na dieta, embora tenha sido registrado leve aumento na ingestão de verduras e legumes. Os pesquisadores alertam que a substituição de alimentos in natura por ultraprocessados pode elevar o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, obesidade e doenças cardiovasculares.

Em paralelo, levantamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), avaliou a presença do peixe na alimentação escolar entre 2015 e 2025. Foram entrevistados 2.330 profissionais (nutricionistas e merendeiras), revelando que a tilápia é a espécie mais utilizada, seguida por sardinha, atum e cação. Apesar disso, 64% dos nutricionistas e 46% das merendeiras afirmaram que o pescado ainda não é servido regularmente nas escolas.

Os principais obstáculos citados foram o custo elevado, a presença de espinhas e a baixa aceitação entre estudantes. Regiões como Acre (62,5%), Rondônia (60,5%) e Amapá (50%) se destacaram pela maior oferta de pescado, enquanto Minas Gerais apresentou o menor índice (18%).

As duas pesquisas evidenciam desafios distintos: de um lado, a expansão dos ultraprocessados em comunidades tradicionais; de outro, a necessidade de fortalecer a cadeia da pesca artesanal para garantir alimentos mais saudáveis nas escolas. Ambas reforçam a importância de políticas públicas integradas para promover segurança alimentar e nutricional no país.

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