Pela primeira vez no SUS, semaglutida será testada em pacientes com obesidade grave no Rio Grande do Sul
Por: Redação I Foto: Rafael Nascimento/MS
O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (26) o início de um projeto-piloto para uso da semaglutida no Sistema Único de Saúde. A iniciativa contemplará 250 pacientes com obesidade acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, e terá duração de dois anos.
A semaglutida é o princípio ativo dos medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, da classe dos agonistas do receptor GLP-1. O projeto avaliará a efetividade, o impacto clínico e o custo do uso dessa classe de medicamentos no tratamento da obesidade dentro do SUS.
Serão atendidos pacientes com obesidade grave ou com a doença associada a outras condições, como comprometimento cardíaco, além de pacientes com indicação para cirurgia bariátrica. Segundo o ministério, 91% dos pacientes com obesidade acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição apresentam a forma mórbida da doença. Desse total, apenas 47% têm condições clínicas para realização da cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial é a comorbidade mais comum nesse grupo.
Para ser selecionado, o paciente precisa ter diagnóstico de obesidade estabelecido há pelo menos 12 meses, apresentar falha documentada no tratamento clínico convencional, como dietas estruturadas e atividade física regular por pelo menos dois meses, e ter capacidade de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com um cuidador para isso.
Ao longo dos dois anos de pesquisa, serão monitorados indicadores como percentual de perda de peso, evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e custos do processo. O estudo será financiado com recursos transferidos ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, provenientes de aporte da fabricante do medicamento.
O projeto ocorre menos de um ano após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS recomendar, em agosto de 2025, que o Ministério da Saúde não incorporasse a semaglutida e a liraglutida ao sistema público. O principal obstáculo apontado foi o custo: o impacto financeiro estimado dessas duas substâncias chegaria a R$ 8 bilhões anuais.



