Casos de Chagas crescem em Ananindeua (PA) em 2025, com transmissão associada a alimentos artesanais
Por: Redação I Foto: José Felipe Batista/Comunicação Butantan
Em 2025, o Brasil registrou 774 casos da doença de Chagas, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde. Em Ananindeua, no Pará, já foram confirmados 42 casos e quatro mortes, o que levou o órgão a decretar surto no município. Pesquisadores da Fiocruz explicam que o aumento de notificações caracteriza um surto local, mas não representa risco de epidemia nacional. A principal forma de transmissão hoje é a oral, relacionada ao consumo de alimentos contaminados, especialmente o açaí preparado de forma artesanal.
A recomendação é que a população consuma produtos de origem confiável e preparados com boas práticas de higiene, para reduzir o risco de contaminação pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Projetos de capacitação de batedores de açaí e normas de fiscalização buscam garantir maior segurança alimentar na região.
Apesar dos avanços no combate à doença, os casos ainda se concentram em áreas com condições sanitárias precárias, onde o barbeiro encontra ambiente favorável e o acesso a diagnóstico é limitado. Os sintomas na fase aguda incluem febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza intensa e inchaço no rosto e nas pernas. O tratamento é oferecido pelo SUS com o medicamento benzonidazol, e especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves, como problemas cardíacos e digestivos.
Mesmo com a certificação internacional recebida em 2006 pela interrupção da transmissão pelo Triatoma infestans, focos ainda persistem em municípios da Bahia, e a Fiocruz mantém projetos de rastreamento e acompanhamento de pacientes em diferentes regiões. Para os pesquisadores, a doença de Chagas continua sendo uma enfermidade negligenciada e exige políticas públicas permanentes de vigilância, prevenção e melhoria das condições de vida da população.



