Juros do cartão rotativo disparam a 435% ao ano e elevam endividamento das famílias
Por: Redação I Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Os juros bancários voltaram a pesar no orçamento das famílias em fevereiro, com destaque para o cartão de crédito rotativo. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a taxa média das concessões de crédito livre para pessoas físicas chegou a 62% ao ano, após alta de 1 ponto percentual no mês e de 5,4 pontos em 12 meses.
A modalidade mais cara continua sendo o rotativo do cartão, que avançou 11,4 pontos percentuais em fevereiro e atingiu 435,9% ao ano. Mesmo com a regra que limita a cobrança de juros nessa linha desde janeiro de 2024, os valores seguem elevados. O parcelamento da fatura também encareceu: os juros subiram 5,3 pontos no mês e 16,9 pontos em 12 meses, alcançando 200,2% ao ano.
No crédito para empresas, o cenário foi diferente. As taxas médias recuaram levemente, com destaque para operações de capital de giro de até 365 dias, que caíram 3,1 pontos percentuais no mês e ficaram em 22,5% ao ano.
Considerando todas as modalidades de crédito, livres e direcionadas, a taxa média de juros em fevereiro foi de 33% ao ano. O movimento acompanha o ciclo da taxa Selic, que está em 14,75% ao ano após sucessivas altas entre 2024 e 2025. Embora o Banco Central tenha iniciado uma redução tímida neste mês, a instabilidade internacional pode alterar os próximos passos da política monetária.
O relatório também mostrou aumento no saldo de crédito, que chegou a R$ 7,145 trilhões, e crescimento de 8,2% nas concessões em 12 meses. O endividamento das famílias ficou em 49,7% da renda acumulada, enquanto o comprometimento mensal da renda com dívidas atingiu 29,3%. A inadimplência subiu para 4,3%, com maior peso nas operações de pessoas físicas.






