Ministério da Saúde envia profissionais para conter suspeita de surto de coqueluche no território Yanomami, em Roraima

Por: Redação I Foto: Alejandro Zambrana /MS


Equipes de saúde estão reforçando o atendimento a crianças com suspeita de coqueluche no território Yanomami, em Roraima. Desde segunda-feira (16), profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami atuam em Surucucu com apoio de médicos, enfermeiros, técnicos e socorristas enviados pelo Ministério da Saúde. O grupo também conta com especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), que têm experiência em conter surtos de doenças infecciosas.

Até agora, oito casos foram confirmados na região, com três mortes em investigação. As demais crianças diagnosticadas foram transferidas para hospitais em Boa Vista. Duas já receberam alta e retornaram às aldeias. Pacientes suspeitos e pessoas que tiveram contato estão em tratamento e sob acompanhamento.

As equipes realizam busca ativa por novos casos, coleta de material para exames e reforço da vacinação infantil nas comunidades próximas. Atualmente, cerca de 50 profissionais atuam no território. Dados do DSEI mostram avanço na cobertura vacinal: em 2022, apenas 29,8% das crianças menores de um ano tinham esquema vacinal completo; em 2025, esse índice subiu para 57,8%. Entre menores de cinco anos, a cobertura passou de 52,9% para 73,5% no mesmo período.

O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, destacou que o aumento da força de trabalho tem sido fundamental para reduzir falhas no atendimento. Desde 2023, o número de profissionais contratados pelo distrito cresceu 169%, passando de 690 para mais de 1,800. Segundo ele, isso permite ampliar a vacinação e realizar exames diretamente nos polos de saúde, sem necessidade de deslocamento para centros urbanos.

Em setembro de 2025, foi inaugurado em Surucucu o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena do país, o CRSI Xapori Yanomami. A unidade recebeu investimento federal de cerca de R$ 29 milhões e atende cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades, oferecendo suporte em urgências e emergências e reduzindo a necessidade de remoções para Boa Vista. O espaço foi construído com apoio da Central Única das Favelas (CUFA) e da ONG alemã Target Reudiger Nehberg, respeitando as especificidades culturais e epidemiológicas do povo Yanomami.

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