Novo exame para rastrear câncer colorretal é implementado no SUS

Por: Redação I Foto: Nano Banana (Google Imagen)


O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) a adoção do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). O público-alvo são homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, faixa etária considerada de maior risco para a doença.

Segundo a pasta, o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar alterações que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores. O exame é simples, feito com coleta de fezes em casa, sem necessidade de preparo intestinal ou dieta restritiva. O material é encaminhado para análise laboratorial e, em caso de resultado positivo, o paciente será direcionado para exames complementares, como a colonoscopia.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer colorretal é o terceiro mais frequente no Brasil, com estimativa de 45 mil novos casos por ano. Estudos do Inca e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) apontam que a mortalidade pode quase triplicar até 2030, principalmente porque muitos diagnósticos ainda ocorrem em estágios avançados. O rastreamento precoce é visto como essencial para reduzir esse impacto.

Esse cenário representa não apenas uma tragédia humana, mas também um impacto econômico expressivo: estima-se a perda de 12,6 milhões de anos de vida produtiva e um prejuízo superior a US$ 22 bilhões. A mortalidade deve crescer 181% entre homens e 165% entre mulheres, o que reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes.

Essa medida ganha relevância diante das desigualdades regionais. Sul e Sudeste concentram os maiores números absolutos de casos e perdas econômicas, mas Norte e Nordeste apresentam os maiores crescimentos relativos em mortalidade e anos de vida perdidos. O Brasil, sozinho, responde por 41% das mortes por câncer colorretal em toda a América Latina, evidenciando que o problema tem dimensão continental.

Entre as vantagens do FIT estão a maior precisão em relação aos exames antigos de sangue oculto nas fezes, a simplicidade da coleta e a maior adesão da população, por ser menos invasivo. A diretriz foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

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