Uiramutã tem o menor rendimento domiciliar per capita do Brasil, segundo dados do Censo 2022
Por: Redação | Foto: Reprodução/Prefeitura de Uiramutã
O Brasil encerrou 2022 com um nível de ocupação de 53,5%, segundo dados do Censo Demográfico divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que pouco mais da metade da população com 14 anos ou mais estava trabalhando na semana de referência da pesquisa. O indicador considera pessoas que exerceram alguma atividade remunerada por pelo menos uma hora ou estavam temporariamente afastadas do trabalho.
Entre as regiões do país, o Sul apresentou o maior nível de ocupação, com 60,3%, seguido pelo Centro-Oeste (59,7%) e Sudeste (56,0%). As regiões Norte (48,4%) e Nordeste (45,6%) ficaram abaixo da média nacional.
O levantamento também revelou que 50 municípios brasileiros apresentaram nível de ocupação igual ou superior a 70%. O destaque foi Fernando de Noronha (PE), com 83%, seguido por Vila Maria (RS), com 78,4%, e Serra Nova Dourada (MT), com 78,2%. Na outra ponta, 330 cidades registraram taxas iguais ou inferiores a 30%, indicando que sete em cada dez pessoas estavam desocupadas ou fora da força de trabalho.
A análise por faixa etária mostra que o grupo de 35 a 39 anos teve o maior nível de ocupação (72,8%), enquanto os jovens de 14 a 17 anos registraram apenas 11,1%. Entre os idosos com 65 anos ou mais, o índice foi de 14,9%. Em todas as faixas etárias, os homens apresentaram taxas de ocupação superiores às das mulheres. Na faixa dos 35 a 39 anos, por exemplo, 82,6% dos homens estavam ocupados, contra 63,6% das mulheres.
Apesar disso, as mulheres ocupadas têm escolaridade mais elevada: 28,9% delas possuem nível superior completo, contra 17,3% dos homens. A participação feminina é predominante em áreas como serviços domésticos (93,1%), saúde (77,1%) e educação (75,3%). Já nas atividades de construção (3,6%), transporte (9,3%) e indústrias extrativas (14,4%), a presença das mulheres é bem menor.
Em relação ao rendimento médio mensal do trabalho, o valor nacional foi de R$ 2.851. No entanto, a desigualdade entre os municípios é expressiva. Em 520 municípios, esse valor ficou abaixo de um salário mínimo (R$ 1.212), enquanto em apenas 19 cidades ultrapassou os R$ 4.848. Os menores rendimentos foram registrados em Cachoeira Grande (MA), com R$ 759; Caraúbas do Piauí (PI), com R$ 788; e Mulungu do Morro (BA), com R$ 805. Já os maiores foram em Nova Lima (MG), com R$ 6.929; São Caetano do Sul (SP), com R$ 6.167; e Santana de Parnaíba (SP), com R$ 6.081.
A desigualdade também aparece na comparação por sexo e escolaridade. Em qualquer nível de instrução, os homens ocupados recebem mais que as mulheres. A maior diferença está entre os que têm nível superior completo: R$ 7.347 para eles e R$ 4.591 para elas.
Por cor ou raça, os grupos amarelo e branco têm os maiores rendimentos médios do trabalho. No nível superior completo, amarelos recebem R$ 8.411, brancos R$ 6.547, enquanto pardos recebem R$ 4.559, pretos R$ 4.175 e indígenas R$ 3.799.
Já o rendimento domiciliar mensal per capita da população brasileira foi de R$ 1.638. Os cinco municípios com os maiores valores foram Nova Lima (MG), com R$ 4.300; São Caetano do Sul (SP), com R$ 3.885; Florianópolis (SC), com R$ 3.636; Balneário Camboriú (SC), com R$ 3.584; e Niterói (RJ), com R$ 3.577.
O menor rendimento domiciliar per capita do país foi registrado em Uiramutã, em Roraima, com média de apenas R$ 289, , seguido por Bagre (PA) e Manari (PE), ambos com R$ 359; Belágua (MA), com R$ 388; e Cachoeira Grande (MA), com R$ 389. O valor representa menos de um quarto do salário mínimo da época, que era de R$ 1.212.
O município ocupa a última posição entre os 5.570 do país nesse indicador, que considera a soma dos rendimentos de todas as fontes (trabalho, aposentadorias, benefícios sociais, entre outros) dividida pelo número de moradores em cada domicílio. A baixa média eno município reflete não apenas os desafios econômicos da região, mas também a forte dependência de transferências sociais e a limitada inserção no mercado formal de trabalho.
O levantamento do IBGE também aponta que 35,3% dos trabalhadores brasileiros recebiam até um salário mínimo, enquanto apenas 7,6% tinham rendimentos superiores a cinco salários mínimos. O relatório completo está disponível no site do IBGE.
O levantamento do IBGE também aponta que 35,3% dos trabalhadores brasileiros recebiam até um salário mínimo, enquanto apenas 7,6% tinham rendimentos superiores a cinco salários mínimos. Em regiões como Roraima, essa disparidade é ainda mais acentuada, com grande parte da população dependendo de atividades informais ou subsistência.






