Violência cibernética aumenta em 2025 e SaferNet chama atenção para uso de Inteligência Artificial em práticas criminosas
Por: Redação I Foto: Reprodução/Conselho Nacional de Justiça CNJ
As denúncias de crimes cibernéticos registraram aumento significativo em 2025, segundo dados da organização não-governamental SaferNet. A Central Nacional de Denúncias contabilizou 87.689 queixas únicas, crescimento de 28,4% em relação ao ano anterior. O maior volume esteve relacionado a imagens de abuso e exploração sexual infantil, com 63.214 registros, número que só fica atrás do recorde de 2023.
Entre os demais casos, denúncias de misoginia tiveram o maior avanço proporcional, passando de 2.686 para 8.728, alta de 224,9%. Também cresceram os registros de apologia a crimes contra a vida, racismo, intolerância religiosa, LGBTfobia, neonazismo e maus-tratos a animais. Apenas a xenofobia apresentou queda, com 755 notificações frente às 3.449 de 2024. O tráfico de pessoas manteve estabilidade, com 442 casos.
O Helpline, canal de ajuda gratuito da SaferNet, também registrou aumento. Foram 2.254 atendimentos em 2025, alta de 39% em relação ao ano anterior. A maior parte esteve ligada à exposição de imagens íntimas, seguida por questões de saúde mental, problemas com dados pessoais e fraudes digitais.
Paralelamente, cresceu a preocupação com o uso de Inteligência Artificial para a criação de imagens íntimas falsas, conhecidas como deep nudes. Essas montagens, feitas sem consentimento, simulam nudez e têm se espalhado em redes sociais como o X (antigo Twitter). Apesar de não serem reais, os impactos sobre as vítimas são concretos, atingindo reputação, saúde psicológica e vida social.
Em Roraima, a Defensoria Pública tem intensificado o acolhimento às vítimas de exposição de imagens íntimas, sejam reais ou produzidas por inteligência artificial. Além de oferecer orientação jurídica e garantir acesso aos direitos, a instituição reforça que compartilhar esse tipo de conteúdo é crime previsto na Lei nº 13.718/2018, com pena de quatro a dez anos de prisão e multa. A Defensoria também recomenda que as vítimas guardem provas do ocorrido, mesmo quando o material é enviado em formato de visualização única, para fortalecer a responsabilização dos autores.
A defensora pública Terezinha Muniz, responsável pela Defensoria Especializada na Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, explica que a violação começa já na captura ou armazenamento sem consentimento e se agrava com a exposição. Segundo ela, muitas vezes a vítima só descobre que suas imagens foram divulgadas por terceiros, o que intensifica os danos à intimidade e à dignidade.
A SaferNet reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima pela Central Nacional de Denúncias, bastando enviar o link do conteúdo suspeito.



