Amor ou doença

Espaço tem opções de bares, lanchonetes e restaurantes para garantir lazer aos boa-vistenses.

Por: Cris Plácida | Foto: arquivo pessoal

Quando uma mulher ama de verdade é capaz de ficar pequena e fazer o outro crescer, ela não mede esforços para servir e fazer com que o ser amado se sinta especial e único. Não há qualquer limite ou obstáculo que ela não vença. Ela deixa de se cuidar e se valorizar para que o outro se sinta mais e mais.

Na condição de esposa ela aceita a outra e finge demência, solta toda a corda, de forma que o seu amor seja livre o suficiente para ser feliz, mesmo que essa felicidade seja a sua derrota. Sim, porque em algum momento ela se sentirá derrotada, pois o momento que sempre esperou nunca chega. Ela não será o suficiente.

Quando amante, ela espera um, dois, cinco, doze anos ou o quanto forem necessários. Afinal ele é o seu grande amor. Ela se joga na vida, se fazendo de forte, determinada, independente, mas a única coisa que ela deseja é que ele bata na porta, que sempre esteve e sempre estará aberta. Ela olha para a esposa com uma certa dose de inveja, mas se satisfaz com pouco.

Que ser humano merece todo esse amor e devoção? Será que realmente existe alguém tão especial assim que tenha o direito de destruir a vida de duas mulheres incríveis? Parece que resposta é simples e fácil. Não! É a melhor resposta. Então, por que ouvimos essa história a vida inteira? Será que a resposta correta é Sim! E se for sim, não existe apenas uma super pessoa, existem várias.  

A esposa em sua “demência” segue a vida se apegando a outras questões, a amante vai vivendo sua falsa liberdade. E tudo isso para conseguirem o mínimo de sanidade mental. A esposa escuta que vida de mulher separada é não é fácil, “que ruim com ele pior sem ele”. A outra tem até vergonha de compartilhar sua dor, afinal é feio ser amante. Coitadas, nós diríamos. Ou seria melhor dizer coitados?

Será que esse ser maravilhoso e único não é na verdade, uma criatura perdida, que para se sentir forte, seguro e dominador, manipula vidas humanas para se autoafirmar? Quantas perguntas não é mesmo, mas não creio que possa ser diferente, considerando esse contexto. Três pessoas adoecidas sofrendo por aquilo que não vale a pena.

Existe preço que justifique um amor não correspondido? Existe vida em uma história assim? O que pode levar um deles a mudar e colocar um basta nisso? Não consigo parar de me questionar e por mais que você aí esteja pensando: “essa Cris é doida! de onde tirou isso?” Tirei da vida que eu e você levamos e vemos serem levadas. Eu sei que parece doideira, mas amor sem reciprocidade é doentio mesmo.

O que mulheres assim, podem fazer para enxergarem que nem mesmo um grande amor é capaz de mudar a outra pessoa ou de sarar as feridas deixadas por uma história feita de outras histórias? Nós vivemos vários tipos de relacionamentos abusivos, alguns são reflexos de como fomos criadas, representam nossas referencias e me parece que não há tempo para isso acabar.

O mundo com suas contradições nos coloca, vez ou outra, diante de situações que dissemos nunca viver, jamais tolerar ou coisa parecida e como se fosse em um piscar de olhos estamos totalmente envolvidas em um jogo sujo, doentio e considerado por muitos e muitas como normal. Afinal, poderia ser muito pior.

4 thoughts on “Amor ou doença

  1. Não entendo, acredito que nunca vou entender como podemos amar tanto que esquecemos que podemos ser amada e que merecemos ser amada, que o amor próprio passar ser suficiente, na verdade isso tudo será uma construção diária que depende única e exclusivamente de cada indivíduo.

    • Que bom ver você por aqui. Nos cobramos e nos culpamos muito, fomos ensinadas a assumir as culpas do mundo. Mas elas não são de nossa responsabilidade, pelo menos, não todas – risos. E realmente a construção do amor próprio nos ajuda a vencermos essa dependência emocional e experimentar a vida extraordinária que temos direito. Obrigada por compartilhar sua opinião, ela é muito importante. Bjs

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