Ministério da Saúde lança campanha para incentivar produção de alimentos ao invés de tabaco

Ação liderada pelo Inca alerta sobre riscos à saúde e prejuízos à renda familiar pelo alto consumo do produto

Por: Ministério da Saúde | Foto: divulgação


Com o tema ‘Precisamos de comida, não de tabaco’, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançaram uma campanha para incentivo à produção de alimentos sustentáveis em substituição ao cultivo do fumo, além da diversificação da produção, da proteção do meio ambiente e da conscientização sobre o risco da doença da folha verde do tabaco, que afeta agricultores durante a colheita do produto.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, explica que o controle do tabagismo no Brasil é uma referência internacional. “Ainda assim, sabemos que temos muitos desafios. O consumo de produtos de tabaco mata mais de oito milhões de pessoas por ano no mundo. No nosso país, pesquisas indicam que 443 pessoas morrem por dia em decorrência do consumo do tabaco. Esperamos seguir avançando para evitar as doenças e mortes relacionadas ao tabagismo. O sucesso da campanha está na articulação das ações juntamente com estados, municípios, setores de governo, sociedade civil, associações médicas, universidades, organismos nacionais e internacionais”, defende.

Dados do instituto, a partir da análise da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, indicam que, para além do prejuízo à saúde de quem produz e utiliza o produto, o consumo de tabaco compromete cerca de 8% da renda familiar per capita no Brasil. O percentual de gasto mensal chega a quase 10% da renda domiciliar per capita entre os fumantes de 15 a 24 anos e é ainda maior para aqueles com ensino fundamental incompleto, chegando a 11%.

Por região, os maiores gastos foram identificados no Norte e no Nordeste, sendo o Acre o estado com maior comprometimento de renda (14%), seguido por Alagoas (12%) e Ceará, Pará e Tocantins (todos com 11%). Na região Sul, Paraná e Rio Grande do Sul registraram 8% e Santa Catarina, 7%. No Sudeste, observou-se cenário similar, com Rio de Janeiro e Minas Gerais na faixa de 8%, enquanto São Paulo e Espírito Santo atingiram 7%. Já o Centro-Oeste exibe os menores índices de comprometimento de renda, com Mato Grosso e Goiás atingindo 9% e Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, 6%.

Segundo o diretor-geral do Inca, Roberto de Almeida Gil, é fundamental unir esforços para alcançar uma sociedade livre do tabaco e seus malefícios. “Celebrar o Dia Mundial sem Tabaco é uma oportunidade para conscientizar a sociedade sobre os danos causados pelo tabagismo e promover ações que levem à redução do consumo de tabaco”, destaca.

Riscos do tabagismo

Mais de 50 doenças estão relacionadas ao consumo de cigarro. Estatísticas revelam que os fumantes, comparados aos não fumantes, apresentam risco 10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão, 5 vezes maior de sofrer infarto, 5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar e 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral.

Além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo também contribui para o desenvolvimento de outras enfermidades, tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.

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