Ministério da Saúde reforça compromisso de  intensificar ações no território Yanomami

Nísia Trindade esteve em Boa Vista (RR), nesta segunda-feira ( 1º), para acompanhar as ações após atentado contra três indígenas Yanomami

Por: Ministério da Saúde | Foto: Ministério da Saúde


A ministra da Saúde, Nísia Trindade, esteve em Boa Vista (RR) nesta segunda-feira (1º), em ação interministerial, para reforçar as ações do governo no território Yanomami após três indígenas serem baleados no último sábado (29). A ministra visitou os dois indígenas que sobreviveram ao ataque de garimpeiros armados dentro do território Yanomami. A terceira vítima do atentado não resistiu aos ferimentos. Durante a visita, a ministra mostrou toda a solidariedade às vítimas e aos familiares e reforçou que crimes como esse não serão tolerados.

“Nossa visão é de uma cultura de paz, é essa mensagem que trazemos, com clareza da importância do nosso papel na proteção dos povos indígenas. A orientação do nosso governo, sob a liderança do Presidente Lula, é de trabalharmos juntos para intensificar as ações na região”, destacou a ministra.

As ministras Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e a ministra Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, que também estavam na comitiva interministerial, sobrevoaram áreas da reserva Yanomami onde há atividade ilegal do garimpo, incluindo a região onde os indígenas foram baleados. “Não vamos recuar face à criminalidade, vamos reforçar as equipes do Ibama, com suporte das forças armadas e toda a parte operacional, para darmos uma resposta a altura”, garantiu Marina Silva.

A ministra dos Povos Indígenas reforçou que as operações para a retirada dos garimpeiros do território já teve início há três meses e agora devem ser intensificadas. “A nossa preocupação é para que tudo aconteça da forma mais pacífica possível. Não estamos incentivando conflitos, queremos minimizar as situações de risco e não queremos, de forma alguma, derramamento de sangue”, ressaltou Guajajara.

O ataque aos indígenas Yanomami aconteceu próximo a uma unidade de saúde restaurada. No território haviam cerca de sete unidades fechadas devido ao garimpo ilegal. O local que sofreu o ataque é uma das unidades reabertas com as ações do governo. Uma das vítimas, o agente de saúde indígena Ilson Xirixana, não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. “Deixo o nosso pesar pela morte de Ilson, muito querido na sua comunidade e profissional dedicado” lamentou a ministra da Saúde. Os dois indígenas internados estão com quadro estável e conscientes.

Três meses de emergência

Desde janeiro, o Governo Federal mobiliza uma operação interministerial para salvar vidas e garantir o acesso à saúde aos povos Yanomami. Neste período, mais de 13 mil atendimentos de saúde foram realizados aos indígenas encontrados em grave situação de abandono e desassistência.

Um dos desafios mais graves enfrentados pelos Yanomami são os casos de desnutrição e malária. Mas com a adoção de diversas ações pelo Ministério da Saúde, foi possível garantir a recuperação de 63 crianças que estavam com quadro de desnutrição. Outras 26 são acompanhadas, atualmente, na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai), com desnutrição moderada, enquanto seis recebem acompanhamento intenso devido ao quadro de desnutrição grave.

O Ministério da Saúde também inaugurou o Centro de Referência em Saúde Indígena no polo base de Surucucu. “A unidade é um grande avanço diante da crise humanitária encontrada no território e vai evitar remoções em grande números, como vinha ocorrendo antes, além de oferecer condição de atendimento e cuidado fundamentais aos indígenas”, destacou a ministra Nísia Trindade.

Os principais problemas de saúde identificados nessa população são malária, pneumonia e desnutrição. Também foram enviados 117 profissionais pelo programa Mais Médicos, sendo 14 para o território Yanomami. Além desses, mais 100 profissionais foram enviados para reforçar o atendimento pela Força Nacional do SUS.

Para enfrentar a malária, a pasta enviou agentes de controle de endemia, com medicamentos e testes rápidos, para realizarem a busca ativa de pacientes com a doença.

Além disso, em parceria com a Funai e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Ministério da Saúde garantiu a entrega de mais de 18,4 mil cestas básicas, além do envio de 39 mil medicamentos, entre antifúngicos, antibióticos e antiparasitários.

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