Enquanto Linhão de Tucuruí não sai do papel, termelétricas continuam salvando Roraima

Com as últimas quedas de energia em Roraima o Linhão de Tucuruí voltou à pauta mais uma vez. Não é de hoje que políticos se aproveitam desse tema para tentar se tornarem os salvadores da pátria. Mesmo com o presidente Jair Bolsonaro anunciando algumas vezes o início das obras, até o momento a linha de transmissão ligando o Amazonas a Roraima ainda é um sonho.

Enquanto isso não acontece as termelétricas seguem sendo a única solução para o Estado. Não bastasse as que já vinham operando desde o fim do fornecimento via Linhão de Guri, da Venezuela, o Governo Federal realizou em 2020 mais leilões para a implantação de novas termelétricas.

Se um dia o ex-senador Romero Jucá foi acusado de não ter força política ou interesse em trazer o linhão, desde sua ausência no Senado Federal nada mudou. Não é de hoje que os senadores Telmário Mota, Chico Rodrigues e Mecias de Jesus afirmam que está tudo pronto para as obras começarem. Mas na prática isso nunca aconteceu. Ou seja, o assunto é bem mais complexo que possa parecer.

O impasse segue sendo junto aos índios waimiri-atroari, Ongs e Ministério Público Federal do Amazonas. Os indígenas, por exemplo, cobram o cumprimento de mais de 30 obrigações, dentre elas repasse de R$130 milhões. O valor seria uma espécie de compensação pelos prejuízos que serão causados na terra indígena.

O linhão foi licitado em 2011 e deveria ter ficado pronto em 2013. Ou seja, não existia nenhuma condição dele chegar a Roraima antes de ter passado pelo Amazonas.

E desde então a obra vem sendo alvo de várias ações na Justiça. Do total de 721 km de extensão da linha, pouco mais de 120 km passarão dentro da reserva indígena. Enquanto isso, Roraima segue sendo o único estado da federação que não está interligado ao setor energético nacional.

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