Como a pandemia tem afetado a saúde mental de pessoas de todas as faixas etárias

A falta de contato com outras pessoas, aumento de violência doméstica e isolamento tem contribuído para sintomas como depressão e ansiedade

Por: Bruna Cássia

Foto: divulgação

O mundo inteiro foi pego de surpresa quando explodiu a pandemia da Covid-19 no fim de 2019. E o que todo mundo achava que iria durar apenas duas semanas já dura um ano e oito meses.

Para evitar o contágio do vírus, que já tirou a vida de milhares de pessoas no planeta, é necessário ter alguns cuidados como o uso de máscara protetora, higienização das mãos e objetos, distanciamento entre pessoas e o isolamento social, fator este que tem sido o mais difícil de obedecer.

Este último, inclusive, é um dos fatores que contribui para sintomas como a depressão e ansiedade em pessoas de todas as faixas etárias, conforme a psicóloga Thayana Aguillera.

O Conexão Boa Vista bateu um bate papo com a profissional, que explicou as consequências da pandemia da Covid-19 para a saúde mental das pessoas. Confira:

Quais os sinais que uma pessoa não está bem emocionalmente?

“Os efeitos na saúde mental que o isolamento traz por si só já podem levar ao aumento do estresses e ansiedade devido as inúmeras perdas e incertezas que esse novo tempo nos traz.

Porém, cada pessoa vai reagir de uma maneira diferente. Sinais como: alteração no sono ou apetite, irritação, tristeza, falta de paciência, queda no rendimento no trabalho e/ou escolar, perda pelo interesse de coisas que anteriormente eram importantes para aquela pessoa, entre outros.

Mas muitas vezes a gente entra em um modo automático e começa a naturalizar esses sinais e a achar que são normais devido as grandes demandas do dia a dia. Quando na verdade, devem servir de alerta para que possamos estar atentos ao nosso estilo de vida e autocuidado”.

Você, como profissional, notou aumento na procura de atendimento por conta da pandemia?

“Sim. Em muitos pacientes a mudança de realidade e de rotina que a pandemia trouxe foi gatilho para que muitos sintomas e transtornos se fizessem presente. Dentre os transtornos mais comuns estão o aumento da depressão e ansiedade”.

Qual a faixa etária que mais está sofrendo com a pandemia?

“Cada faixa etária foi impactada pela pandemia de maneiras diferentes. Os idosos por exemplo, perderam aquela rotina de receber a visita dos familiares e ter aquele contato físico e convivência.

Muitos deles têm dificuldades com uso da tecnologia, então se sentem muito sozinhos. Além disso tiveram que lidar com as perdas de pessoas próximas que eram de sua convivência diária: esposas, maridos e parceiros de uma vida inteira. São situações delicadas que merecem atenção da família e demais pessoas que estão próximas a eles.

Mas gostaria de destacar também o impacto no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Um estudo realizado na China com 320 crianças e adolescentes destacou alguns pontos de maiores impactos, como: a dependência excessiva dos pais; desatenção, preocupação excessiva, distúrbio do sono, falta de apetite, pesadelos, desconfortos e agitação.

E além disso há também o impacto que o uso excessivo das telas causam no desenvolvimento e no processo de aprendizagem. As crianças passaram a ser ainda mais expostas as telas, tecnologias, videogames, algo que os pediatras e especialista na área já destacavam o quanto é nocivo ao desenvolvimento. Principalmente em crianças na primeira infância.

Outro ponto que vale a nossa atenção é que houve um aumento significativo nos casos de violência doméstica e fatores como esse podem levar a criança a exposição ao estresse tóxico, que por períodos prolongados podem prejudicar o desenvolvimento saudável do cérebro e gerar mudanças no comportamento”.

Em relação às crianças e adolescentes, quais os cuidados necessários para esse público neste momento de pandemia?

“Estar atentos as mudanças no comportamento, aos novos hábitos, e aos sinais que as crianças e adolescentes trazem é fundamental. Se alguma coisa não estiver indo bem, alguns sinais eles vão dar.

Por isso é tão importante conhecer bem as características, modo de se comportar, de falar e se alguma questão te chamar atenção e fugir do modo ao qual essa criança e adolescente costuma se comportar, já é importante acender a luzinha amarela e investigar essa alteração de comportamento. Lembrando que quanto mais cedo o problema for identificado, melhor e anos fácil será essa intervenção.

Também é necessário estar atentos requer cuidado em todas as áreas e é claro que também gera um maior desgaste aos pais e cuidadores. Mas é extremamente necessário. O acesso à tecnologia por exemplo é inevitável, mas deve SEMPRE ser supervisionado pelos pais e cuidadores. Além disso estabelecer limites e horários bem definidos para o uso das tecnologias é fundamental”.

A profissional reforçou que este é um momento difícil para todo mundo e as crianças e adolescentes por estarem em desenvolvimento vão ter ainda mais dificuldades em conseguir expressar e nomear o que estão sentindo.

“Então o ambiente familiar deve ser o lugar onde eles se sintam à vontade para falar e expressar esses sentimentos sem medo de ser julgados”, finalizou.

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