Dívidas que tiram o sono: saiba como se livrar delas e restabelecer a vida financeira

Reorganizar o orçamento e acompanhar os detalhes dos débitos pode ser uma boa solução, orienta a especialista em educação financeira Lucyara Duarte

Por: Bruna Cássia | Foto: divulgação

Pelo menos uma vez na vida você vai se endividar, ficar com o nome sujo e pode até perder o sono por causa disso. A situação pode aparentar ser difícil, mas não é impossível resolver o problema e ficar com as contas em dia, conforme garante a especialista em educação financeira Lucyara Duarte.

“A primeira dica que dou: é fundamental organizar o orçamento. É preciso saber quanto você ganha e o quanto gasta para ter um padrão de vida que seja compatível com seus ganhos. Muitas pessoas vivem num padrão de vida acima do que realmente podem, quando o ideal é que vivam um degrau abaixo”, iniciou.

Mas por que é importante dar uma segurada na grana? Segundo a Lucyara, a falta de controle leva as pessoas a arcar com despesas que, muitas das vezes, poderiam ter o valor revestido para comprar algo que desejam à vista ou remanejar o valor para abater alguma dívida. Então analisar os gastos desnecessários e cortá-los também pode ajudar bastante.

Outro ponto é que a possiblidade de fazer render dinheiro pode estar dentro da sua própria casa. Isso mesmo! Faça uma ‘varredura’ no seu lar e veja itens seminovos que você não utiliza e ponha à venda. A OLX e outras redes sociais podem ser um meio para fazer isso.

Tenha cuidado ao renegociar dívidas

Conseguiu levantar uma graninha com a reorganização de despesas e venda de produtos que não usa? Agora o próximo passo é verificar, na ponta do lápis, o que você deve.

Lucyara Duarte é especialista em educação financeira. Foto: arquivo pessoal

“A pessoa precisa verificar qual o valor original daquela dívida e quanto está sendo cobrado de juros e multas. Isso vai fazer muita diferença na hora de renegociar o débito. Outro fator que ajuda é separar a dívida por categoria e averiguar qual precisa de mais atenção”, pontuou Lucyara.

Olhar os detalhes dos débitos vai ajudar o devedor a não pagar nada além do necessário. Renegocie apenas se a dívida não ficar maior do que ela já é, durante a simulação de renegociação.

Aproveite os benefícios como 13º salário, restituição do IR e FGTS

O trabalhador brasileiro tem alguns benefícios como o décimo terceiro salário, em alguns casos a restituição do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) e em algumas circunstâncias o saque do FGTS. Esses benefícios econômicos são valores que as pessoas não contam mensalmente, por isso, são rendas extras.

Sendo rendas extras, elas também podem ser utilizadas para sanar débitos. Caso não queira utilizar todo o valor, a especialista orienta a investir parte dele em uma aplicação que renda mais que a poupança.

Uma dessas opções é Certificado de Depósito Bancário, o CDB, que é disponibilizado pela maioria das agências bancárias. Até pelos aplicativos de celulares é possível fazer o procedimento, que é bem intuitivo.

Assim, o consumidor vai ter uma reserva financeira, o que também é muito importante. Imagina que ocorreu um imprevisto e você precisou tirar saldo do que usa para se manter durante o mês. Além de ficar desfalcado, a pessoa acaba contraindo outra dívida para suprir o imprevisto.

Tendo a reserva financeira, você não será pego de surpresa e não vai comprometer o que você utiliza durante o mês.

Quando a dívida entra pela porta o amor foge pela janela

Para quem vive a dois, é de suma importância que o casal conheça a situação financeira um do outro. “A primeira coisa que eles devem ter é transparência entre si. É comum ter aquelas compras escondidas, um mentindo para o outro sobre quanto recebe, ou até mesmo fazem investimento escondidos. Tudo isso se tornam erros, pois pode deixar essas pessoas em más lençóis”, alertou a especialista.

“A vida a dois é para ser compartilhada, é para ter projeto de vida em comum. Planejamento e parceria deve andar de mãos dadas”, aconselhou, acrescentando que mais 57% do divórcio entre casais são ocasionadas por dívidas ou outras questões financeiras.

Por isso, é bem verdade aquele ditado que diz que “quando a dívida entra pela porta, o amor foge pela janela”. “Eu acredito que tem que ter essa transparência. Sentar, conversar e organizar as finanças. Ver o que cada um poderia fazer para ajudar um ao outro, sem pressão ou cobranças”, reforçou.

Conseguindo reorganizar as despesas, quitar as dívidas e, se possível, manter uma reserva, o próximo passo é dar continuidade nessa rotina de educação financeira para que você não contraia dívidas futuramente e, assim, consiga manter o sono tranquilo.

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