Uma para dois – A chegada do segundo bebê

Uma para dois – A chegada do segundo bebê

Enquanto escrevo, amamento o caçula, troco uma fralda, coloco para dormir, o primogênito grita: “mamãe, vem brincar comigo”. O bebê acorda. Recoloco o bebê para dormir. Depois de empurrar alguns carrinhos pelo chão, volto a escrever. Logo o primogênito volta: “mamãe, quero ficar no seu colinho.” Não se nega um chamego, eu penso. Dou o colinho. Volto a escrever, o caçula acorda.

Quando eu era criança, achava incrível o fato de ter muitos irmãos. Tenho sete. Dava para brincar até a hora de dormir. Às vezes acordava no meio da madrugada sem sono e sempre tinha algum irmão acordado jogando videogame. Adorava isso. Eu nunca estava só!

Idealizei isso para minha família também, queria pelo menos dois filhos. Tive o primeiro aos 31 anos. Esperei a estabilidade financeira, o amadurecimento do casal. Nasceu o primeiro filho, e naquele momento nasci como mãe também.

Como toda mãe de primeira viagem, descobri que maternar não é um conto de fadas. Do mesmo lugar que sai o amor, sai o cansaço, sai a culpa, sai o medo.

– Já amamentei, já dei banho, ele está com fraldas limpas. Por que não para de chorar?

– São 3h da manhã, Deus, preciso dormir.

Mas a mãe de segunda viagem, ah, essa não, essa já estava avisada, dizem. De fato, no segundo filho, gastamos menos, alguns choros não nos assustam, a experiência ajuda muito. Só esquecem de avisar que o filho quer uma mãe, e não metade de uma. A gente não pode se dividir, tem que se multiplicar.

E eu tinha esquecido de como era, do puerpério, do peito cheio, da barriga vazia, do cabelo caindo. Lembrei com a chegada do segundo filho, e não foi igual.

– Por que você entrou gritando, filho? Acordou o bebê.

– São 3h da manhã, Deus, preciso dormir.

Sempre ouvi que no coração de mãe sempre cabe mais um. Cabe sim, mas não somos só coração. Somos costas doloridas, somos seios rachados, somos pernas inchadas, somos olhos cansados. Por trás daquela guerreira que veem, está uma mulher exausta que tem um sorriso no rosto quando vê seus filhinhos dormindo. Sim, mães são esse poço de extremos. É pensar em fugir e, no plano de fuga, incluir os filhos que eram o motivo da fuga.

Com o segundo filho, esperarão que você tire de letra: “nem parece que já tem filho”. Esperarão que você não seja melindrosa com o bebê: “Chega de frescura, nem é o primeiro filho” Esperarão que você faça laqueadura: “Dois já tá bom, né?” Esperarão a família perfeita, a mulher bem-sucedida e a esposa sempre linda.

Mas se você leu até aqui e está assustada, calma. Já te falei que tem amor em dobro também? E dá para vestir igual. Quem resiste a crianças combinando no pijama, gente? não tem como! Risadinhas em dobro, dois pares de olhos apaixonados por tudo que você faz, passinhos que te seguem por onde você for…

Por isso, mãe de dois ou mais, vai com fé. Um dia de cada vez, aproveitando o melhor de cada momento. Use bem sua rede de apoio, se você tiver. Peça ajuda e não se sinta culpada por estar cansada. Recarregue-se o quanto puder. Sua jornada é intensa, mas tem flores no caminho.

E se você conhecer uma mãe que acabou de se multiplicar, ofereça apoio, um café quentinho, bom papo. Fique com o bebê enquanto ela toma aquele banho. Não julgue. Rede de apoio é empatia!

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