O que fazer com a impostora que vive em mim?

Ana acordou atrasada, percebeu que não tinha tirado a carne do congelador, havia esquecido de passar no supermercado e não teria tempo para resolver nenhuma dessas questões, naquele dia precisaria atender um cliente presencialmente. Esse quadro inicial pareceu caótico e Ana desabou, estava muito cansada e não identificou quem pudesse ajudá-la. Então uma voz interior disse: “Ei, está atrasada, depois de toda essa bagunça que causou ainda vai perder o cliente? Você realmente não merecia aquela promoção, não estava preparada, ainda falta muito para se tornar a líder que as pessoas pensam que você é.”

Sentimentos de não merecimento, não pertencimento, autocríticas em excesso, autossabotagem, perfeccionismo e baixa autoestima, são apenas algumas das características da “síndrome da impostora”, que Ana estava vivendo naquele momento e, mesmo sabendo o quanto ela estudava, se entregava aos desafios e realizava conquistas, sentia que a qualquer momento todos a sua volta descobririam que não era boa o suficiente.

Essa síndrome começou a ser apresentada à sociedade na década de 70 e por não ser considerada uma patologia, vamos chamá-la de “fenômeno da impostora”. De antemão já informo que homens também sofrem com isso, contudo as mulheres são as mais afetadas. Entre os motivos estão o excesso de cobrança sobre a mulher e o modelo de sociedade patriarcal que vivemos, mas isso é assunto para outro dia.

Um ponto que nos chama a atenção é que mulheres de várias classes sociais ou profissionais passam pela mesma situação, inclusive mulheres inteligentes, ricas, famosas e bonitas, portando não pense que a vida dela é mais fácil que a sua, compartilhamos o mesmo modelo de mundo e vivemos processos de inseguranças semelhantes.

Esse fenômeno provoca grande sofrimento e por não se sentir o suficiente, a mulher se autossabota, perde oportunidades profissionais e se submete a relacionamentos tóxicos. O bom é que existe solução para isso, o caminho não é linear, tampouco simples e rápido, mas o resultado compensa qualquer esforço.

O autoconhecimento é fundamental para que a mudança de percepção de si mesma aconteça. Sugiro que reconheça suas habilidades, perdoe-se rapidamente pelas falhas, aceite sua vulnerabilidade, não se compare a outras pessoas, peça ajuda, estabeleça metas, registre e celebre suas conquistas. Não precisa fazer tudo de uma vez só, comece aos poucos e vá descobrindo a maravilha de ser você mesma.

A gente se vê.

Cristiani Plácida

Administradora, consultora, analista comportamental, coach.

18 thoughts on “O que fazer com a impostora que vive em mim?

  1. Me chamo Flávia, Pedagoga, 43 anos, casada. 01 filha de 20 anos. Tantas experiências e crescimento pessoal, alegrias e tristezas. Mas nenhuma tão tocante como uma casa conquistada, carros que já troquei diversas vezes, empreendimento que possui, mas tive que vender. E por fim, a perda de meu pai, o qual nunca estamos preparados, em 2019. Mas, como todos nos adaptamos, a tudo aprendemos, reapreendemos e reconquistamos novamente surgimos igual a Fênix.

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