Produtores da Comunidade Vista Alegre recebem capacitação para projeto de piscicultura Moro-Morí

A iniciativa da prefeitura contempla todas as etapas, desde a escavação dos tanques à despesca

Por: Ráyra Fernandes | Foto: Jonathas Oliveira/Semuc


Com a proposta de fortalecer a agricultura familiar, trazendo novas alternativas para a cadeia produtiva e alimentação nas comunidades indígenas, a prefeitura lançou em março deste ano, o projeto de piscicultura Moro-Morí (“peixe bom”, em macuxi). E nesta quarta-feira, 9, a Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI) capacitou produtores na comunidade Vista Alegre.

O projeto contempla todas as etapas, desde a escavação dos tanques à despesca. O município disponibiliza os alevinos de tambaqui (peixes em seus primeiros meses de vida), a ração, os equipamentos e todo apoio técnico necessário para a produção nas comunidades.

“Ensinamos os fundamentos da piscicultura na aula teórica. Na prática, fizemos o tratamento da água com os produtos necessários. Essa etapa é fundamental antes da chegada dos alevinos”, explicou o técnico de piscicultura Juarez Barros.

O segundo tuxaua de Vista Alegre, Telmário Cunha, agradeceu a preocupação da prefeitura com os indígenas. “Esse projeto é muito importante para o desenvolvimento da nossa comunidade. A piscicultura deve ajudar no crescimento econômico da região e na alimentação também”, disse.

O produtor Josias de Lima está desenvolvendo uma nova habilidade. As expectativas são grandes para as próximas etapas. “Trabalhei a vida inteira com agricultura, mas nunca tive esse apoio que estou tendo hoje. É a primeira vez que eu participo de um projeto voltado a piscicultura e estou gostando da experiência”, contou.

Comunidade pioneira

Ao todo, o Moro-Morí deve atender 17 comunidades indígenas e beneficiar cerca de 800 famílias da zona rural de Boa Vista. A Serra da Moça foi a pioneira no projeto e já está mostrando resultados. Lá, os tanques parecem lagos naturais. A água esverdeada e um pouco barrenta indica movimento: não só o nado dos peixes, mas também a presença de um “olho d’água”, uma nascente que alimenta o reservatório.

Nesta etapa do projeto, os peixes já estão com 1,5 kg. A despesca será feita em outubro quando eles estiveram com cerca de 3 kg. A expectativa é retirar 1.800 kg de tambaqui para a subsistência alimentar da comunidade e para a comercialização do excedente produzido.

Trabalho coletivo

Para o coordenador do projeto na Serra da Moça, Inácio Ângelo e sua equipe, a piscicultura representa uma possibilidade de fonte de renda, que pode contribuir com o sustento das famílias e da comunidade no presente e num futuro próximo.

“Em um ano queremos mostrar o resultado do investimento que a prefeitura fez. Está sendo um aprendizado valoroso. Temos o sonho de compartilhar esse aprendizado, expandir a produção na Serra da Moça e alimentar o nosso povo”, finalizou.

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