Alta taxa de juros afeta confiança dos donos de pequenos negócios

Sondagem Econômica mostra que índice de confiança de abril teve ligeira baixa

Por: ASN | Foto: divulgação


Após dois meses de aumento, em abril, o Índice de Confiança das Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE) apresentou um ligeiro recuo de 0,8 ponto, caindo de 88,5 para 87,7 pontos, segundo da Sondagem Econômica da MPE, realizada mensalmente pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Dos três setores analisados, apenas os pequenos negócios do Serviços apresentaram um aumento de 0,3 ponto. Indústria da Transformação e Comércio tiveram, respectivamente, quedas de 1,6 e 3,8 pontos. O resultado de abril reflete um arrefecimento nos setores de Comércio e da Indústria de Transformação e de uma estabilidade do setor de Serviços.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, destaca que os pequenos negócios estão em compasso de espera por uma melhora, que poderia vir, por exemplo, com uma redução das taxas de juros.

“A taxa Selic a 13,75% é extremamente agressiva aos pequenos negócios, à economia brasileira e à soberania nacional. Os pequenos negócios são os principais geradores de novos empregos no Brasil. Os juros praticados atualmente prejudicam o segmento e dificultam o acesso a crédito. É natural que os empreendedores se sintam inseguros em relação ao futuro”, observa Lima.

Comércio

Após duas altas consecutivas, a confiança das micro e pequenas empresas do setor de Comércio (MPE-Comércio) caiu 3,8 pontos em abril para 83,3 pontos, o menor nível desde janeiro de 2023 (81,8 pontos). Analisando os segmentos, o varejo restrito foi o responsável pela maior contribuição da queda do índice esse mês. Na contramão do setor, os segmentos de material para construção e veículos, motos e peças (lojas de autopeças e pequenas revendedoras).

Por região, três das quatro pesquisadas acompanharam o setor, com destaque, para o Sudeste, que teve queda de 5,3 pontos. Essa foi seguida por Norte/Centro-Oeste e Sul, com recuos de 4,4 pontos e 3,7 pontos, respectivamente. E contrapartida, Nordeste teve alta de 2,9 pontos.

Serviços

Após dois meses de alta, a confiança das micro e pequenas empresas do setor de Serviços (MPE-Serviços) ficou relativamente estável em abril ao variar 0,3 ponto, para 89,7 pontos, maior nível desde outubro de 2022 (99,4 pontos). “Essa resiliência do MPE-Serviços acaba sendo influenciada pelos serviços prestados às famílias, mas a sustentabilidade desse resultado positivo acaba sendo desafiadora diante do cenário econômico prospectivo de altos juros e crédito caro”, frisa o presidente do Sebrae. Sob a ótica dos segmentos, dois avançaram e três recuaram. A principal alta foi observada no segmento serviços às famílias. Serviços profissionais e outros serviços se mantiveram estáveis. Os segmentos serviços de informação e comunicação e serviços de transporte recuaram.

Em relação às regiões, as altas do setor foram observadas nas regiões Sul, Sudeste e Norte/Centro-Oeste, que cresceram de 1,1 ponto, 0,8 ponto e 0,5 ponto, respectivamente. Somente a região Nordeste recuou (-4,7 pontos).

Indústria de Transformação

Assim como no comércio, a confiança das micro e pequenas empresas da Indústria de Transformação (MPE-Indústria) caiu em abril: 1,6 ponto, para 86,7 pontos. Por segmento, outros foi o que mais contribuiu para queda do MPE-Indústria. Essa piora também ocorre no segmento de metalurgia e produtos de metal. Em contrapartida, os segmentos de alimentos, refino e produtos químicos e vestuário avançaram.

Na análise regional, as variações são dispersas, sendo as maiores quedas observadas nas regiões Sudeste e Nordeste, onde a maioria das empresas desse setor se encontram: caíram 6,6 pontos e 6,2 pontos, respectivamente. Já no sentido oposto, as regiões Norte/Centro-Oeste e Sul avançaram: 5,3 pontos e 1,5 ponto, respectivamente.

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