Há quase duas décadas, grupo DiveRRsidade luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+ em RR

Grupo surgiu em 2002 com a primeira parada do orgulho feita em Roraima e desde então vem lutando pelos direitos da comunidade

Por Bruna Cássia e Isaque Santiago | Foto: Grupo DiveRRsidade

A celebração do orgulho LGBTQIAP+, antes mesmo da sigla ser difundida e conhecida em todo o mundo, foi o que motivou a criação da Associação Roraimense Pela Diversidade Sexual, conhecida como grupo DiveRRsidade, que no ano de 2002 realizou a primeira parada do orgulho de Roraima. 

O início da luta pelos direitos dos membros da comunidade começou dois anos depois. Desde então, o grupo colaborou em diversas conquistas como a aprovação da lei do nome social, na elaboração de políticas públicas e trabalhos sociais voltados para este público. 

O presidente do DiveRRsidade, o psicólogo Sebastião Diniz, explicou que o grupo surgiu com a proposta de fazer com que a voz da comunidade LGBTQIAP+ fosse ouvida. “Quando nós pensamos em criar o grupo foi para fazer as políticas públicas LGBTQIAP+ acontecerem de fato e também para fazer um trabalho social, principalmente com a comunidade trans, que é muito marginalizada”, disse. 

Presidente do Grupo DiveRRsidade, Sebastião Diniz
(Foto: arquivo pessoal)

Para Diniz, o grupo fez história ao longo dessas duas décadas. “As políticas públicas conquistadas como a lei do nome social pela Assembleia, a lei do Conselho Estadual LGBTQIAP+ de Roraima, a participação em conferências no interior e na capital estão aí para comprovar isso. Infelizmente as conferências só foram interrompidas pelo governo conservador que nós temos hoje na presidência da República. Essas conferências não acontecem mais desde que essa extrema direita assumiu”, lamentou. 

Graças a parcerias com o poder público, hoje, o Grupo DiveRRsidade funciona no bairro Tancredo Neves, na rua Lindolfo Coutinho Bernardo, nº 1951, próximo a Escola Estadual Tancredo Neves. “É  um espaço cedido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social [Setrabes]. Lá atendemos as famílias LGBTQIAP+ com atendimento psicológico, orientação jurídica e distribuição de cesta básica por meio do programa Mesa Brasil, do Sesc”, disse. 

Ainda no que se refere aos trabalhos sociais, o DiveRRsidade também tem uma parceria com o Sistema Nacional de Emprego (Sine), que funciona na Setrabes, e com outras empresas, para fortalecer a política pública de inclusão do público LGBTQIAP+ no mercado de trabalho. Diniz ressaltou que para estar no mercado de trabalho existe todo um pré-requisito e que essa parceria vem justamente para ajudar a comunidade neste sentido. 

“Para que essa parceria possa existir, temos que fortalecer esse público com capacitações. Sem a formação adequada não existe mercado de trabalho, independente de sexo, orientação, cor ou etnia. Porém, sabemos que o público mais vulnerável são as travestis e os gays afeminados. Então,  para garantir a empregabilidade dessas pessoas, conseguimos essa parceria”, pontuou. 

Cuidar da saúde é outra preocupação do grupo. Para isso, parcerias com a Secretaria de Saúde do Estado e com a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista para atendimento a pessoas vivendo com HIV nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), implantando a mandala da prevenção como a PREP e a PEP, que saia da ditadura de somente trabalhar a prevenção com o uso de preservativo. 

“Todas essas conquistas  tiveram a participação do Grupo DiveRRsidade, por meio do Conselho Municipal de Políticas LGBTQIA+ em Boa Vista, e por meio do Conselho Estadual de Saúde nos demais municípios”, pontuou Diniz. 

DiveRRsidade colaborou para o surgimento de outros grupos 

Mesmo com todo esse protagonismo do Grupo DiveRRsidade, o movimento também estimulou o surgimento de outros grupos. “De dentro do DiveRRsidade surgiu outros movimentos como a Associação das Travestis e Transexuais do Estado de Roraima (Ater) e por último o surgimento do grupo Atenas Cores que surgiu para atender as lésbicas. Quanto mais gente, quanto mais grupos lutando pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+ melhor”, disse.

Apesar dos avanços e conquistas dos últimos anos, Diniz afirmou que o preconceito nunca diminui, pelo contrário, se fortalece o tempo todo. “Vivemos em um Brasil onde a política de extrema direita conservadora domina. Também sabemos que o preconceito que antes era velado, escondido, agora está exposto de forma explícita nas redes sociais. A comunidade LGBTQIAP+ é constantemente atacada. Aqueles que tem o candomblé como religião também são atacados, não existe o respeito nem pela crença das pessoas. Chega a ser alarmante todo esse preconceito para com a nossa comunidade”, lamentou. 

Além disso, o Brasil é o país que mais mata travestis, gays, lésbicas e transsexuais no mundo. “Ninguém mata um hétero por andar na rua de mãos dadas com a mulher dele, mas matam uma travesti que faz o mesmo com o companheiro dela. O Grupo DiveRRsidade, Atenas, Ater e as ONGs estão aqui justamente para trabalhar  políticas públicas para acabar com esse preconceito e acolher o nosso público”, ressaltou Diniz. 

Como denunciar crimes de homofobia 

Para denunciar casos de homofobia e transfobia o principal meio é o Disque 100, que analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos. No entanto, além deste canal, também é possível. No atendimento vão abrir um Boletim de Ocorrência e encaminhar o caso para a Polícia Civil para que seja feita uma investigação. Também é possível registrar denúncias junto a Comissão de Diversidade da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Roraima (OAB-RR).

A Lei Maria da Penha também ampara as travestis, mulheres trans e lésbicas. Temos uma parceria com a Casa da Mulher Brasileira que é onde essas denúncias são feitas. A OAB Roraima também recebe denúncia de famílias LGBTQIAP+ que sofrem violência, e acompanha o caso de perto. 

“É importante ressaltar que a violência não é somente física, mas também psicológica e institucional. Também temos o Ministério Público com a Comissão de Minorias, comandada pelo procurador Edson Damas que está fazendo um excelente trabalho. O Grupo DiveRRsidade e Atenas têm assento nesta comissão”, detalhou. 

Acompanhe o trabalho do Grupo DiveRRsidade

Todo o trabalho do Grupo DiveRRsidade pode ser acompanhado no site www.diverrsidade.org.br, no perfil @diversidadeBV no Instagram, na página no Facebook e no canal no YouTube.

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